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Porque faço o que faço?

Data adicionada : November 03, 2016 05:00:03 PM
Autor: Cláudia Fonseca
Categoria:
 
Cláudia Fonseca
03 novembro 2016




Quando era criança assistia com frequência à porta da igreja e do mercado as ciganas com as suas crianças debaixo dos braços que se aproximavam da minha mãe a pedirem alimento. E a minha sempre pronta com sacos de pão e alimento. Chegavam a juntar-se várias e a minha sempre preparava sacos fartos para lhes dar. Sempre as mesmas a fazerem este ritual que chegava a ser diário, uma vez que todos os dias a minha ia ao mercado.

Nunca ninguém saía de perto da minha mãe de mãos vazias. Em idade mais tenra isto parecia-me mágico, mas à medida que fui crescendo foi-me incomodando. Porquê estas pessoas continuavam insistentemente a pedir, sempre no mesmo registo? Não conseguia entender.

Fui crescendo um pouco mais e fui assistindo a correntes de voluntariado. Pessoas que se juntavam para alimentar os sem abrigos, para lhes levar refeições quentes nos lugares onde estes estavam com frequência. Na altura desafiaram-me para colaborar também nestes programas. E eu prontamente disse não. Na altura, perante o impacto da minha resposta tão assertiva, senti-me egoísta e insensível. Havia algo que me fazia confusão nesta teia que me impedia de colaborar.

Até que anos mais tarde comecei a compreender. A minha reacção em nada tinha a ver com insensibilidade, mas com uma forma diferente de estar e de perceber a situação. As expressões populares são de uma sabedoria incrível "Se deres um peixe a um homem faminto, vais alimentá-lo por um dia. Se o ensinares a pescar, vais alimentá-lo toda a vida."

É claro que nem todos querem aprender a pescar e exige trabalho e vontade para ensinar e mudar paradigmas instalados. Mas essa é a minha fé, o meu acreditar.

Talvez eu tenha em mim um país das maravilhas, e um pouco de Alice que alimenta a imaginação e a magia nas coisas. A beleza está nos olhos de quem vê, e cabe a cada um de nós escolher o que quer ver para além do que está a ser mostrado. Há sempre beleza, e na essência de cada ser humano há bondade e amor. Por vezes as vidas camuflam de tal forma pelo desgaste das experiências, que vão fechando e tornando-as desconfiadas e incrédulas, turvando a visão sobre o que captam do mundo. Não quero com isto dizer que seja tudo só beleza. Há polaridade e existe a pobreza, violência, doença. Tudo faz parte.

Contudo, quando ampliamos a nossa visão captamos muito mais. E é este meu acreditar no ser humano, no grande potencial que tem dentro e que pode ter uma vida preenchida de si, a viver os seus talentos que me fez enveredar nesta busca de saber como se faz. Viver sonhos aqui e agora nesta vida é possível, é real, no reencontro consigo mesmo, na aceitação de todas as partes que moram dentro e se manifestam fora. Nós somos a realidade que construímos, e isso traz responsabilidade por si mesmo.

Partilhar, ensinar como chegar, como implementar um novo senso de viver preenche-me. Não há melhor sentimento do que ver e assistir às mudanças que as pessoas fazem nas suas vidas que as tornam mais leves, realizadas e preenchidas. É real e eu sou e elas são a manifestação que é possível. Abriram-se à vida, a confiar e acreditar que a mudança parte de dentro e isso vê-se fora.

E tu porque fazes o que fazes na tua vida?



 
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