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"Envelhecimento do envelhecimento"

Data adicionada : September 24, 2016 01:00:02 PM
Autor: Rosário Martins
Categoria:
 
Rosário Martins
24 setembro 2016




Esgotado o período do baby boom que decorreu na década de quarenta até meados da década de sessenta, houve uma forte regressão da fecundidade, para metade, que fez acentuar o processo de envelhecimento demográfico nos países desenvolvidos verificando-se uma incapacidade de renovação de gerações e um crescimento imparável no grupo dos idosos. Com o avanço da ciência biotecnológica, da saúde e das condições de vida verificou-se que ao longo do século XX a esperança média de vida aumentou mundialmente de forma considerável.

Conforme os dados dos censos a esperança média de vida ao nascer e aos 65 anos aumentou e com predomínio nas mulheres. Esta longevidade pode ocasionar nas mulheres idosas uma tendência a uma taxa superior de limitações funcionais. Na generalidade dos países e, conforme vários estudos a população idosa apresenta uma proporção superior de mulheres o que significa que existe uma crescente tendência do processo de feminização do envelhecimento.

Em Portugal o índice de envelhecimento aumentou de 102.2% (2001) para 127.8% (2011). As regiões de Portugal com índice de envelhecimento mais elevado são Alentejo, região centro e Algarve (INE, 2012).

As projeções para 2050 em Portugal apontam para uma inversão da pirâmide etária em que observamos baixa natalidade, aumento da população idosa dos 65 aos 74 anos de idade e um alargamento do topo da pirâmide prevalecendo o género feminino com 85 e mais anos. Antevê-se para 2050 "35,72% de pessoas com 65 e mais anos e 14,4% de crianças e jovens…". Irá existir um aumento significativo do índice de longevidade para os 81 anos sendo "84,1 as mulheres e 77,9 os homens". A esperança média de vida depois dos 80 anos passará de 7,6 anos para 10,2 anos nas mulheres e nos homens passa dos 5,9 anos para 7,3 anos (UE, 2012, p. 4).

Em 2050 haverá um aumento considerável dos idosos e, dos muito idosos com idade superior a 80 anos de idade, o que significa que iremos assistir a uma nova revolução: "Envelhecimento do envelhecimento". E a dada altura nenhum País ficará excluído desta inquietude.

É fundamental a existência nos planos curriculares de (do o ensino básico ao ensino superior) unidades curriculares que contemplem o processo do envelhecimento. O conhecimento e compreensão do processo normal do envelhecimento permitem um pensamento e uma análise reflexivas do processo de envelhecimento, eliminar o idadismo e as atitudes ageístas e ainda diferenciar eugeria de progeria.

Ao envelhecimento demográfico é imputável uma parcela importante de dificuldades socioecónomicas com que se debatem os países. Estas dificuldades são indissociáveis de uma generalizada crise económica. Daí, a premência de uma articulação entre as políticas de saúde, económicas, culturais e sociais à nova e atual realidade, uma reorganização social das gerações e, otimização dos recursos humanos e financeiros. As pessoas/cuidadores (formais ou informais) podem ser um meio facilitador ou inibidor do processo normal de desenvolvimento. Tem de existir maior investimento na formação em pessoas especializadas e, um maior envolvimento da família e de toda a comunidade de forma a garantir uma vida com dignidade, contribuindo para um bem-estar e qualidade de vida.

Todas as estratégias a serem desenvolvidas devem ter em consideração o perfil da pessoa idosa daqui a 10, 20 ou 30 anos, devemos pensar no presente mas direcionados para o futuro. O envelhecimento prepara-se e para isso temos de pensar, quais as condições, quais os serviços que queremos para esse futuro, de forma a usufruirmos de um envelhecimento ativo/positivo.

A pessoa idosa tem de ser reconhecida pelo seu papel ativo assumindo os seus deveres e direitos como cidadãos.

* Docente na ESSJPiaget Algarve

 
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