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POBRETES E ALEGRETES

Data adicionada : September 22, 2016 01:00:04 PM
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22 setembro 2016


Somos um país de gastadores compulsivos. Gastamos sem cuidarmos do retorno. Desde o fogo-de-artifício às rotundas, às auto-estradas vazias, aos estádios e pavilhões desertos, e aos festejos que tudo atropelam, mesmo os direitos mais sagrados dos cidadãos, como o repouso, a liberdade e o respeito pelo gosto de cada um, tudo serve, como no tempo dos romanos acontecia com o pão e o circo. E para quê? Para gastar, gastar, gastar, sem cuidar das consequências. O Zé há-de pagar. E paga. Com língua de palmo. E insultamos quem quer o retorno do capital que nos confiaram e desbaratámos. Pobretes, alegretes e arrogantes. É o nosso ADN desde sempre. Infelizmente, ganhámos má fama e não é fácil, para os povos que trabalham a sério, continuarem a despejar dinheiro no nosso saco sem fundo para continuarmos a gastar sem tino. Infelizmente, dado o que vemos no dia-a-dia das políticas nacionais e locais, temos de dar razão a quem quer fechar-nos a torneira. Com efeito, desde o governo central aos governos locais, só se pensa nos direitos adquiridos, nos benefícios, nos privilégios, nos carros, nas viagens turísticas, nas festas. Ninguém cuida de investimentos rentáveis, ninguém sacrifica um feriado, uma hora de folga. Todos pedem mais dinheiro, mais feriados, menos horas de trabalho. Que gente é esta? Será que pensa que a vaca dá leite, sempre, assim como a chuva que cai do céu, sem esforço nem sacrifícios? Mas, até o ambiente exige sacrifícios e bom senso.

Contudo, os tontos também têm direito a uma segunda oportunidade. É disso que temos de convencer a União Europeia. Temos de demonstrar que estamos decididos a viver de acordo com a nossa realidade e a largarmos fantasias de pobres que querem viver como ricos. Temos de nos sacrificar, de abdicar daquilo que gostaríamos de ter, enquanto não criarmos riqueza para tal.

Claro que não podemos deixar de lutar pela clarividência de quem dirige a Europa. Não se pode tirar o oxigénio ao doente, sem o matar. Em vez de regras rígidas e cegas que sufocam a economia europeia, é tempo de os eurocratas pararem e debaterem soluções realistas. Tem de haver uma solução que torne possível, não só o pagamento das dívidas, mas ainda a recuperação económica, quiçá a nossa sobrevivência.

Se ouvirmos a Comissão europeia, Teodora Cardoso e outras luminárias partidárias, espera-nos o caos, sem qualquer esperança de vida. Mas, se ouvirmos Manuela Ferreira Leite e outros economistas independentes e igualmente sabedores, aprendemos que o nosso modelo económico é superior ao anterior, com uma reserva de esperança, mas, com as regras europeias, tal como estão, não há modelo económico que tenha sucesso. Só nos resta lutar para não gastar desnecessariamente, lutar pelas poupanças, pelos investimentos rentáveis, quer localmente, quer a nível nacional. Largar as bazófias, os foguetórios, incentivar o trabalho, apelar ao sacrifício. Temos de viver de acordo com a nossa realidade e não no mundo das fantasias, como tem sido nosso hábito. Haja juízo! Portugal e a Europa têm de discutir a realidade e decidir de acordo. Não há castigos que emendem seja o que for. Há que promover políticos com estaleca, que é o que faz falta, cá, como na Europa. Quiseram liquidar o Sócrates e afundaram Portugal, quando estava já aprovado, a nível internacional, um programa idêntico ao que salvou Espanha e evitou o desastre. Cá, preferiram empurrar-nos para o resgate, por pura ambição política, com os resultados que estão à vista. Os nossos vizinhos optaram por pedir a recapitalização dos bancos, permitindo, assim, aquecer o motor da economia que, actualmente, cresce a 3%, enquanto a nossa definha, como definham todas as economias europeias, incluindo a alemã, embora continue a beneficiar dos juros das dívidas soberanas que salvaram os seus bancos. Enquanto durar o garrote orçamental europeu, nenhuma economia vai crescer. Não é o nosso modelo económico que está errado, embora o estejam algumas prioridades, é o garrote das regras estúpidas.

 
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