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Páre, Escute e Olhe!

Data adicionada : August 28, 2016 01:00:03 PM
Autor: Rosário Martins
Categoria:
 
Rosário Martins
28 agosto 2016




Diariamente deparamo-nos, quer através da comunicação social quer pelo conhecimento próximo, com situações de emigração dos jovens para outros países à procura de novas oportunidades de emprego e de melhor nível/qualidade de vida e, migração do meio rural para o meio urbano, permanecendo apenas as pessoas mais idosas acompanhadas pelas suas memórias. Estas pessoas ficam expostas a uma série riscos de saúde; como a incapacidade e dependência sociais pela ausência ou deficiente apoio emocional/afetivo e de relações intergeracionais; de isolamento, solidão, sofrimento e exclusão social. Estas situações de solidão e sofrimento pioram quando a pessoa idosa adoece ou quando apresenta incapacidade funcional que a impossibilitem de sair, deslocar-se e interagir com a comunidade, vê-se confrontada com a privação de estabelecer relações interpessoais.

Quando falo em solidão a maioria das pessoas, e as que são detentoras de mais habilitações académicas, fica a olhar para mim com um ar de interrogação/dúvida, franzem o sobrolho, encolhem os ombros… Para esses relembro que a palavra solidão existe, não é um estado unitário, é uma palavra plena de significado, não basta ir ao dicionário de língua portuguesa, é preciso compreender o conteúdo da palavra. Para ser mais explicita vou pegar naquele aviso que encontamos nas passagens podonais de caminho de ferro: "Páre, Escute e Olhe!".

A avaliação da solidão é crucial para a manutenção de bem-estar e qualidade de vida da pessoa idosa. Por linhas muito breves passo a elucidar que a solidão percecionada/vivida pelo idoso pode ser avaliada nas três vertentes: "romântica" permite-nos saber a relação com o respetivo cônjuge e a necessidade sentida pelo idoso de um/a parceiro/a romântico/a ou matrimonial; "solidão social": a relação com os amigos e "solidão familiar" reflete a falta de apoio familiar sentida pelo idoso (DiTommaso, 2004).

Existem dois tipos de solidão: a objetiva e a subjetiva. A solidão objetiva refere-se às pessoas que estão sós. A solidão subjetiva refere-se às pessoas que se sentem sós, independentemente se vivem sozinhas ou acompanhadas.

Vários autores são unânimes em afirmar que os idosos que vivem com a família sofrem mais solidão do que os idosos que vivem sozinhos ou que vivem com amigos. Cabral et al. (2013) afirma que a "solidão existe na co-presença de outros e não apenas quando há isolamento físico ou social" (p. 38).

Infelizmente a solidão é um enigma mas, hoje em dia constitui um problema sério, cada vez mais se dá maior importância ao materialismo em detrimento da afetividade e, cada vez menos, as pessoas se encontram, as famílias se reúnem desculpando-se de que o tempo não chega para tudo. Mas, o que é o tempo? Talvez se perguntarmos à pessoa idosa o que é o tempo, ela nos saiba responder e quiçá nos diga que o tempo é vida.

É premente a mudança de comportamentos e atitudes perante o envelhecimento começando por uma educação/reeducação dos mais jovens e elucidação/sensibilização da comunidade em geral acerca da necessidade de eliminar o idadismo e as atitudes ageístas. Também os cuidadores informais devem ter conhecimento acerca do processo normal do envelhecimento pois é crucial a adaptação e a satisfação pelo que fazem evitando deste modo o que consideram apenas uma obrigação ou um trabalho.

Para uma boa intervenção com as pessoas idosas não é necessário um amplo conhecimento cientifico mas, sim o conhecimento dos sentimentos e a perceção que a pessoa idosa tem do seu passado, presente e futuro e, de que forma este modo de pensar e sentir se reflete ou influencia o seu estilo de vida e previne uma deterioração precoce. É indispensável uma política de desenvolvimento de estratégias com objetivo de reduzir a perceção subjetiva de solidão nos idosos.

É necessário que cada um de nós seja solidário com o próximo. "A solidariedade baseia-se na afetividade e não na obrigatoriedade" (Pimentel, 2001, p. 89).

Rosário Martins (PhD, MSc, SMHPN, PgDip, RNC)



* Docente na ESSJPiaget Algarve


 
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