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MOTIVAR OU MOBILIZAR? III

Data adicionada : May 07, 2016 03:00:05 PM
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07 maio 2016
Discute-se como conseguir que os alunos triunfem como estudantes e como cidadãos e trabalhadores. Não é fácil encontrar uma resposta, aliás, ninguém descobriu ainda uma chave mágica para um problema tão complexo que, obviamente, exigirá várias abordagens empenhadas e inovadoras, sobretudo, se tivermos em conta a mobilidade e a imprevisibilidade do mundo em que vivemos.

Há, no entanto, quatro opções pedagógicas que têm vindo a ser utilizadas: relacionar os conhecimentos adquiridos na escola com as necessidades da vida, o trabalho de projecto, inventar soluções para resolver problemas concretos e, enfim, o encontro com a cultura.

Cada um destes caminhos encerra pontos positivos e pontos negativos.

Os alunos podem ser atraídos para a aquisição dos saberes que a escola pode disponibilizar-lhes, se perceberem que há uma relação útil para a sua vida entre aquilo que aprendem e as necessidades concretas do dia-a-dia. A escola será abraçada, pois ali poderá recolher conhecimentos e ferramentas que o ajudarão a desenvolver e a usar outras competências sociais e a crescer na sua autonomia. Mas, poderá a escola limitar-se a esse registo de saberes práticos, digamos assim? Não caberá à escola fornecer também aqueles saberes que considera essenciais, mas que a sociedade acha «inúteis»? Quantas vezes não ouvimos já a frase: "-Que chatice! Para que é que isto me serve?" Quantos Pais, alunos e outros actores da educação não usaram frases deste tipo?

Modernamente, recorre-se, com frequência, ao trabalho de projecto. Um jornal escolar, uma horta, tratamento de animais, preservação do ambiente, enfim, inúmeras iniciativas podem ser o núcleo a partir do qual se vão adquirindo saberes relacionados com os conteúdos programáticos. Será uma forma mais atraente, mais dinâmica, mais envolvente, capaz de mobilizar os alunos. No entanto, em trabalhos desta natureza, quase sempre há quem se distinga pelo seu entusiasmo e empenho, enquanto outros adoptam uma atitude passiva, quiçá marginal.

Para contornar esta marginalização, aposta-se em iniciativas individuais, isto é, cada aluno deve identificar um problema e desenvolver propostas de resolução. Seleccionar os saberes que podem ajudar, traçar um plano de ataque ao problema, reunir materiais, apontar uma solução técnica. Todo esse percurso vai "obrigá-lo" a adquirir saberes e a construir uma personalidade forte, capaz de enfrentar os obstáculos com espírito empreendedor e ganhador. Cabe ao professor ter o cuidado de "oferecer" um obstáculo ajustado para ser simultaneamente difícil e acessível, acompanhado de uma bateria de recursos minuciosamente preparados para que o aluno não se perca em entusiasmos que possam "apagar" os objectivos pedagógicos.

Finalmente, o encontro com a cultura. É talvez o caminho mais difícil e, contudo, o mais entusiasmante, pois, as criações dos principais modelos (artísticos ou científicos), que foram edificando a nossa civilização, pertencem ao universo das nossas principais interrogações: Quem somos? Como aparecemos? Até onde se estende o infinito? Seremos, um dia, dominados pelas máquinas? Como ser amado? Como relacionarmo-nos? A Terra vai desaparecer? Haverá outros mundos habitados? Thales de Mileto, Arquimedes, Platão, Galileu, Leonardo Da Vinci, Charles Perrault, La Fontaine, Einstein, Newton, Zola, Eça de Queirós, Gil Vicente, Miguel Torga, Saramago e tantos outros não oferecerão nada que ajude a crescer como alunos, como profissionais e como cidadãos?

Enfim, a mobilização para o conhecimento não é automática, nem a motivação pode deixar de ser uma questão em aberto. É preciso multiplicar as ocasiões, nunca aceitar o insucesso como uma fatalidade. Cabe a cada um de nós promover sempre, incansavelmente, o prazer de aprender e de compreender. Rejeitemos as "máquinas" de ensinar, tenham elas o perfil que tiverem: escolas, centros de explicações, manuais, trabalhos para casa, exames, etc., etc.

A pedagogia não é uma ciência exacta, felizmente. Não matemos o desejo de aprender nem o direito à liberdade.

 
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