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Turismo também pode ser saúde

Data adicionada : May 02, 2016 03:00:03 PM
Autor: Tiago Silva
Categoria:
 
Tiago Silva
02 maio 2016
O Algarve sempre esteve e tem estado ao longo das últimas décadas fortemente virado para o setor do turismo. Ainda hoje e após a forte campanha de promoção externa da região sob o slogan "Allgarve", tão admirado por uns e odiado por outros, cujo principal objetivo foi o de atrair investimento estrangeiro para a região. Investimento esse que se tem traduzido e repercutido na divulgação da região junto de meios de comunicação internacionais, afamados e que continuam cada vez mais a eleger o Algarve como um dos melhores sítios a nível mundial para beneficiar das suas pensões e reformas, onde se aliam o clima, o custo de vida, considerado baixo para os estrangeiros que optam por assumir a região como país de residência fixa, mas também em termos estruturais no que se refere a acessos rodoviários, ligações aéreas e até ao momento, um baixo risco de ações terroristas. A região apresenta também legislação segura na área da saúde, conhecimento de várias línguas por parte dos profissionais, hospitalidade, experiência e instituições de saúde de qualidade, sendo bem cotado na OCDE através de um bom índice de qualidade e de exigência médica, segundo vários autores.

Devemos olhar para o turismo de saúde como uma área emergente, face ao crescente número de residentes estrangeiros na região. A verdade é que os serviços públicos continuam a não dar resposta à população nacional, e consequentemente não dão também resposta à população estrangeira. Estima-se que atualmente a população europeia gaste mais de 8 mil milhões de euros a nível europeu na área do turismo de saúde, sendo que na cabeça do pelotão, estão países que já lideram este setor como a nossa vizinha Espanha e a Holanda.

Não deverá Portugal, e o Algarve em particular, aproveitar, e ver uma possibilidade de sucesso, na abertura que foi dada pela União Europeia, ao longo dos últimos anos, na possibilidade dos cidadãos acederem a cuidados de saúde em todos os países da União Europeia? Atualmente dois grupos privados da região direcionam já a sua aposta neste sentido com oferta de pacotes de serviços de saúde, alojamento e lazer. São necessários no entanto recursos humanos que deem resposta a estas necessidades, devidamente qualificados e com competências de excelência a todos os níveis, relacional, comunicacional, e profissional. E para isso, temos que continuar a formar, com qualidade e acima de tudo, com diferenciação.

Continuará sempre no entanto a ser importante não esquecer e focar na melhoria que deverá ser dada à prestação de cuidados de saúde no Algarve, que neste momento se encontra "doente", bem como no acesso à mesma por parte da população nacional residente, com particular destaque para a melhoria dos serviços hospitalares e agilização do processo de acesso aos mesmos. A verdade é que se corre o risco de criar produtos de excelência para o sector privado, fragilizando gravemente o Serviço Nacional de Saúde que foi em tempos uma conquista, que ainda hoje nem todos valorizamos da devida maneira. A preocupação com a sustentabilidade financeira do SNS não se deverá, jamais, sobrepor aos objetivos assistenciais do Serviço Nacional de Saúde, tendo sido para esse mesmo efeito que foi criado, para garantir a assistência a todos os cidadãos.

* Docente da Escola Superior de Saúde Jean Piaget - Algarve (Instituto Piaget) - Fisioterapeuta



 
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