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APRENDIZES DE FEITICEIRO

Data adicionada : April 04, 2016 06:00:05 PM
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Categoria:
 

04 abril 2016


Quase todos os dias somos levados a ler matérias que envolvem actos de terrorismo, acompanhadas das respectivas análises de especialistas. Ressalta a complexidade do assunto, pois há, pelo menos, quatro áreas presentes: a ideologia, as organizações, a tese da loucura assassina e a teoria do desespero social.

Há um pouco de tudo isto por detrás da motivação dos terroristas.

A História conta-nos, como, no século XX, bem perto de nós, as ideologias totalitárias (comunista e nazi) condenaram milhões de seres humanos à morte, à maior degradação, à maior miséria. Também a religião cristã como o Islão, para falar só daquelas regiões do palco da discórdia, não se livram de actos de violência, hoje, como ontem. Mas, mau grado as várias leituras que se fazem, ou têm feito, dos chamados "textos sagrados", a mensagem moderna tem sido a da paz, a da conciliação, a do diálogo, a do perdão. Mas se, o Papa Francisco tem vindo a condenar os terroristas, tenham eles as motivações que tiverem, não ouvimos da parte dos responsáveis muçulmanos as palavras condenatórias que as mortandades e as ofensas à humanidade, sobretudo em relação às mulheres, justificariam para ficar claro que os jihadistas, ao invocarem motivos religiosos para os seus ataques, estão errados. Convém-lhes, talvez, manter na escuridão medieval, uma grande parte dos crentes, pois assim conservam regalias e poderes impróprios da vida moderna.

Também sabemos que as ideias precisam de ser contextualizadas para explodirem em violência. Lembremos os casos da ETA e do IRA, por exemplo. Hoje, falamos da Al-Qaïda, do Daesh, da Aqpa, organizações responsáveis pela transformação de aderentes em combatentes, com os locais e modos de recrutamento, de financiamento, de treino, de armamento, de estratégias.

Há, ainda, as referências à natureza desequilibrada dos terroristas. Serão seres frágeis, influenciáveis, limitados intelectualmente, em ponto de rebuçado para serem catequizados pelos ideólogos da violência. Se há uma grande percentagem de razão na defesa desta tese, também não podemos esquecer que muitos dos jihadistas são casados, têm filhos, uma vida familiar e social estável e equilibrada. Há, de facto, actos irracionais influenciados por crenças delirantes. Aqueles que se fazem explodir com cintos amarrados à cintura não são diferentes dos kamikazes da Segunda Guerra Mundial.

Resta-nos a tese da sociedade responsável. Nascerá a violência de uma crise social e moral? A falha da integração numa sociedade de acolhimento, a falta de oportunidades de trabalho, a exclusão, o insucesso escolar, o insucesso na profissão, a desestruturação familiar potenciam o ressentimento contra a sociedade e despoletam a violência?

Contudo, Mohamed Khan, o chefe dos atentados de Londres, recebera, dois anos antes, um prémio de modelo de integração social.

Várias serão as explicações, várias serão as faces deste terrível problema que a todos preocupa. No entanto, não será por acaso que o nosso dia-a-dia, de um modo geral, cultiva a violência. Há um apetite voraz pelas cenas de violência, pelo sangue, nas nossas televisões e em certa imprensa. O cinema privilegia os filmes de acção violenta. Até os desenhos animados já foram contaminados. Um estudo da Universidade de Iowa atesta que os jogos de vídeo violentos estão em crescendo e aumentam de modo significativo a probabilidade de os jovens desejarem experimentar pensamentos, emoções e condutas agressivas. Também há um estudo que indica que 90% dos homens e 80% das mulheres já desejou matar pelas próprias mãos, por motivos como o ciúme, a inveja, ou ódio. E, contudo, as estatísticas mostram que há cada vez menos crimes violentos, menos guerras, menos conflitos.

Como explicar? Não seremos todos aprendizes de feiticeiro?

 
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