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Que implicações éticas se podem retirar da emergência da crise ambiental

Data adicionada : March 29, 2016 06:00:25 PM
Autor: Rosário Martins
Categoria:
 
Rosário Martins
29 maro 2016




A ética relaciona-se com direitos e deveres, o homem e o ambiente têm direitos. O ambiente tem direitos porque o homem tem deveres para com ele, tem o dever de o perseverar, de o proteger e não tem o direito de diminuir a biodiversidade. Estes desequilíbrios ecológicos têm-se vindo a repercutir na qualidade de vida do Homem. A vida só é possível enquanto os ciclos naturais funcionarem em equilíbrio, com um mínimo de eficácia e diversidade.

Até finais do século XVII o Homem utilizava energia renovável, a partir da revolução industrial começou a utilizar energia não renovável. Todo este progresso exigiu um grau incomensurável de conhecimentos, mas que esteve na origem da degradação ambiental.

Soromenho-Marques classifica esta degradação como "o desequilíbrio entre o poder e o saber". Poderíamos dizer que o progresso é sinónimo de anti evolução. Parece um contrassenso mas, se por um lado o progresso ou evolução humana demonstrou um enorme saber, por outro lado esse saber transformou-se em ignorância e insensibilidade ambiental.

A partir do século XVIII iniciou-se o crescimento demográfico que veio colocar em risco a espécie humana, na medida em que o aumento demográfico em conjunto com as mudanças climáticas produziram e continuam a produzir o esgotamento de recursos naturais, a desflorestação e o efeito de estufa.

O efeito de estufa é um fenómeno bem real e incontestável que provoca alterações climáticas, com grave impacto no ecossistema que se traduz em calamidades naturais e no crescimento de microrganismos e patologias tornando-se uma ameaça à saúde pública.

O Homem foi capaz de criar um mundo empobrecido e degradado, será esta uma visão pessimista? O Homem tem uma capacidade vicariante de ajustamento ativo a qualquer situação, mesmo que nefasta, muitas vezes à custa de doenças físicas, psíquicas e sociais resultantes dos desequilíbrios ecológicos por ele causados.

O Homem é um ser ambicioso com tendência ao progresso, ao desenvolvimento tecnológico, cientifico, económico, organizacional, numa procura constante de um equilíbrio quase utópico, torna-se um ser egocêntrico/egoísta, no sentido em que ignora os interesses alheios em toda e qualquer circunstância, e por conseguinte uma ameaça constante para o ambiente. Todo este progresso, é necessário à nossa sobrevivência que, interfere no nosso dia-a-dia "pressionando-nos" acompanhar esta evolução sem qualquer prudência, tornando-se um obstáculo à ética ambiental.

Estando nós em pleno século XXI deparamo-nos com mil e uma questões, (para onde caminhamos a passos largos?), para as quais não temos respostas, mas refletindo com Soromenho-Marques a verdade é que diariamente nos deparamos, com o delito ambiental do despejo e/ou a queima incontrolada gerando uma crise ambiental.

A crise ambiental veio alterar o meio em que habitamos, obrigando-nos a uma reflexão acerca da relação que existe entre o homem e o ambiente.

O ambiente necessita de líderes e urge que cada um de nós desenvolva a liderança tanto para a perseveração e conservação do ambiente como para um melhor desempenho, isto é, sermos agentes de mudança de atitudes e comportamentos ecológicos junto da comunidade.







Tem de se agir no "aqui e agora", começando na casa de cada um de nós (uma responsabilização partilhada) e serem iniciadas campanhas de sensibilização e educação ambiental dirigidas a toda a população em especial aos jovens, pela capacidade de assimilação e espirito de campanha nas escolas, universidades, autarquias…. para que haja uma consciencialização das inferências nocivas (para consigo próprio, para com os outros e para com o ambiente), uma responsabilidade ecológica, uma participação ativa de forma a transformar atitudes e comportamentos ambientais nefastos em condutas pró ambientais melhorando a qualidade de vida do planeta.

O nosso olhar atento diz-nos que o Homem não registou na sua memória os incidentes sucedidos das alterações climáticas para, preparar o futuro ambiental e uma vida com qualidade. Poderemos falar em amnésia ou egoísmo psicológico?

Kant, filósofo e figura de referência do pensamento moderno, acreditava no caráter absoluto das regras morais. Sendo a moralidade um sistema de regras que devemos seguir partindo de um sentido de dever, independentemente da vontade, de necessidades e desejos individualistas. As obrigações morais não dependem de desejos específicos que a pessoa possa ter, os requisitos morais são categóricos.

Kant afirma a existência de "dever" hipotético, possível pela existência de desejo e "dever" categóricos que derivam da razão.

* Docente da Escola Superior de Saúde Jean Piaget de Algarve (Instituto Piaget); Enfermeira

 
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