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OS HOMENS E A RELIGIÃO

Data adicionada : December 15, 2015 05:00:03 PM
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14 dezembro 2015


Não tenho estudos teológicos, nem pretendo ser dono da verdade. O que escrevo tem raiz no que vou lendo, vou conhecendo das minhas viagens, vou concluindo da minha experiência de vida e do contacto com as pessoas, sobretudo, foi importante, a minha experiência na tentativa de construirmos, em Nampula, na comunidade de Marrere, uma escola multicultural e multirreligiosa que, pelo menos enquanto lá estivemos, deu os seus frutos.

Hoje, todos falam do Estado Islâmico, de terrorismo, de soluções mais ou menos guerreiras para um problema que tem a ver com a cultura dos povos. A solução do terrorismo não está na repressão violenta. Parecendo a mais fácil no imediato, nada resolverá, no futuro. Na minha débil opinião, uma solução há-de ser encontrada em diálogo com os responsáveis religiosos de todo o mundo, com os chefes políticos nacionais e regionais para se descobrir como travar os fundamentalismos, as tradições radicais, a ignorância, os preconceitos raciais e de género.O que está a acontecer com o Islão, aconteceu (e ainda acontece) com os Cristãos. Houve uma apropriação errada da Religião pelo Homem que, a dado momento, sentiu que havia ali uma oportunidade de poder e aproveitou-a, explorando o medo que todos temos do que não conhecemos. A isso, temos de juntar a ânsia de saber, de desvendar, de descobrir, que caracteriza qualquer ser humano. Tudo conjugado, chegou-se à conclusão de que valia a pena espalhar a ideia que os textos que contêm os princípios da religião cristã e da religião muçulmana, bem como de outras religiões, são de origem divina, portanto, são para acreditar e interpretar à letra. Isto é falso. Não há livros sagrados, há textos que o homem foi criando, segundo as suas interpretações, segundo as suas meditações, todas elas no sentido de beneficiarem quem as difundia e as explicava. Todas as religiões criaram os seus guardiões do Templo, ao fim e ao cabo, os donos das religiões. Ora, quando o Homem sequestrou Deus, criou o caos. Deus precisa do Homem, pois sem pessoas não há Deus, mas, não precisa de ser o escravo do Homem para que este justifique todas as patifarias de que é capaz, em Seu nome.

Li, hoje (08/12/15), uma entrevista, no jornal "Público" que ajudou a reforçar o meu pensamento e a minha experiência sobre as religiões. Trata-se de um estudioso do Islamismo, Ziauddin Sardar, presidente do Muslim Institute, que, a certa altura, refere um tema que esteve na berra ao longo da História, como seja, o de saber-se se o "Corão" foi criado ou se foi uma dádiva de Deus. A importância deste tema é a chave do problema: se foi criado, pode raciocinar-se sobre, e ter opiniões, se é um dogma, não pode ser discutido e tem de ser aceite segundo a letra. Com quantos temas desta natureza não se confrontou o Cristianismo? Por exemplo, quantos anos depois de Cristo morrer se criou o dogma que ensina que a Mãe, Maria, foi sempre virgem? Quantas mortes e perseguições se geraram em nome de dogmas que os homens impuseram? Mais refere Ziaddin Sardar que, actualmente, é a Arábia Saudita a mais acérrima defensora da interpretação literal do Corão e não é por acaso que o dinheiro do petróleo é a grande fonte de receita dos terroristas. Por isso, continuo a pensar que só um conhecimento aprofundado e muito esclarecido e factual da História poderá ajudar ao entendimento dos povos. Corre-se sempre o risco de os homens se aproveitarem para reacender feridas já saradas. Por isso é que os professores têm de ser sempre técnicos responsáveis, justos, isentos, esclarecidos, sábios e muito sabedores. Estou convencido de que ou os países apostam numa educação séria, num conhecimento total da História do Homem e das Religiões para todos, ou teremos sempre terroristas à solta, em maior ou menor escala.

 
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