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VOLTOU A CAMBADA DO REVIRALHO

Data adicionada : November 19, 2015 05:00:03 PM
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18 novembro 2015


São surpreendentes os momentos que vivemos. É o tempo da clarificação, como aconteceu com o 25 de Abril. Então, soube-se quem queria voltar à rolha e quem queria ser livre de falar, de opinar, de lutar pelo direito de construir um futuro melhor. Hoje, também os do reviralho passam a mensagem de que não há futuro sem eles, que, depois deles, o caos virá, a miséria será maior, a vida não existe. Exige-se a revisão da constituição, erguem-se cenários ameaçadores, joga-se com o medo. Onde é que já ouvimos alguns políticos, sedentos de poder, dizerem que o povo está com eles e que as eleições o confirmarão? África? América do Sul? Mas, à cautela, não vá o diabo tecê-las, orquestram umas maquilhagens na Constituição. Pois. São os jogos do poder, usando a arma do medo, uma maneira sofisticada de comprar os votos. Recrutam-se, depois, uns tantos analistas, de gravata e ar sábio, e a revolução aí está. Ainda não viveram a mudança e já prevêem uma catástrofe. Não é novidade. Os sábios do costume são os donos das ideias, do saber, da harmonia, da clarividência, dos ingredientes para a felicidade. Mas, da felicidade de quem? Dos mesmos de sempre ou do povo? Deixo a resposta aos que sofrem na pele o resultado das políticas dos últimos quatro anos. Ouço o Portas, o Passos e a cambada de comentadores ao serviço do reviralho e pasmo! Todos os que não estão com eles, são inimigos de Portugal e dos Portugueses. Esse Portugal e esses Portugueses que eles vindimaram e venderam. Que autoridade moral tem o Portas ou o Passos ou a cáfila de comentadores que os assessoram para falar em vendilhões, traidores, arranjistas, golpistas e não sei que mais? Eles, sobretudo o Portas, que são capazes de irrevogáveis malabarismos para continuarem no poder!? Todas as mentiras servem para se aguentarem. Até o risonho Portas que, ainda há poucos anos gritava contra a Europa, se apresenta hoje como um seu fervoroso defensor! É incrível como se contorce como um artista de circo para se aguentar ministeriável, ele que pertence a um partido que não se sabe como faz parte da governação, mau grado a fraca representação eleitoral de que dispõe. Mistérios da conjuntura.

A terminar, deixem-me só oferecer-vos este pedaço de prosa de um dos mais considerados, mas mais tolos colunistas portugueses, Vasco Pulido Valente ( in-Público, 14/11/2015): «Ficam as miragens. Sobretudo, a velha miragem da "educação". Numa entrevista à RTP, Centeno tornou a dizer, repetindo Costa, que "o investimento na educação é o melhor investimento que um país pode fazer em si próprio". Já ouvi esta frase milhares de vezes na boca de toda a gente e até, se bem se lembram, o PS já dedicou um governo a este santo princípio. Mas, para informação da nossa esquerda de hoje (que não se distingue da esquerda de ontem), essa ideia nasceu no século XVIII, foi adoptada e acarinhada pela "intelectualidade" portuguesa inteira, desde Verney ao pobre António Sérgio - e abortou sempre. Nunca ocorreu a ninguém, como Centeno e Costa brilhantemente demonstram, que a economia desenvolve a educação, a educação não desenvolve a economia.

Por isso os portugueses que o Estado educa, ou pretende educar, abandonam a escola, ficam no desemprego ou rapidamente emigram. Antigamente, os pais que precisavam das crianças no campo faziam manifestações contra o ensino obrigatório. Hoje os "diplomados" abandonam a escola ou a universidade, vivem na miséria ou fogem para o estrangeiro, onde têm emprego e lhes pagam bem. Costa e Centeno não perceberam uma verdade simples: como as mercadorias, as pessoas também circulam na Europa e os ricos compram o melhor. Mas, na falta de outros recursos, os governos continuam a acreditar numa via mágica para a prosperidade, sobretudo quando os senhores ministros são célebres doutores e julgam que se promoveram à custa das suas privilegiadas cabecinhas. Erro deles. Seis meses na Gomes Teixeira bastarão com certeza para os devolver à sobriedade.»

Nem vale a pena comentar, diante de tanta desfaçatez e patetice. Basta fazer duas perguntas: 1.Como é que aqueles que são bem pagos, como afirma, conseguiram esses empregos? Como pagamento de favores ou por terem apostado na educação? 2. Os que desistem da educação fazem-no por serem bêbados e preguiçosos, sem remissão, ou porque quem manda não lhes criou condições para poderem estudar? A direita costuma pensar e propalar que os pobres são pobres porque são preguiçosos por natureza e não há nada a fazer. Ser pobre, para eles, é uma espécie de fatalismo. Já o Salazar achava que as pessoas só precisavam de aprender a ler e a escrever e que, portanto, lhes bastava a 3.ª classe. Por isso fez das professoras/es do ensino primário uns tristes funcionários sacrificados que lhe deviam o favor de ser pobres para toda a vida. Até os condecorava de vez em quando, mas proibia-os de se casarem antes dos 25 anos, como se fossem irresponsáveis, e, depois, só poderiam fazê-lo se o/a consorte tivesse rendimentos que assegurassem a subsistência do casal. Não tenho dúvidas acerca do reviralho que está aí, em força, nas televisões, nos jornais, nos políticos da direita. Anda no ar uma espécie de "terrorismo verbal" e não há nada mais cobarde do que o terrorismo. O medo pode mais que a fome. Tenhamos calma. Deixem a democracia funcionar. Quem tem medo da democracia? No Novo Testamento, lemos: «a cada dia bastam seus problemas».

Felizmente, ainda há quem acredite que a mudança é urgente e que a educação é a chave do futuro. Entre os que lutam por uma educação moderna, para as pessoas, conta-se João Ruivo: «Os gestores escolares contemporâneos, para além da necessidade de se encontrarem consigo próprios, terão que permitir aos outros colaboradores da comunidade escolar oportunidades e meios para o seu próprio crescimento, pelo que as instituições educativas que não incorporarem atempadamente a inteligência emocional no local de trabalho, poderão fracassar, pela impossibilidade de procederem à transição para o paradigma da escola de aprendentes do século XXI.

Se esta nova inteligência, a inteligência emocional, nos permite aceder às competências que irão marcar o ritmo da vida moderna, resta-nos adotá-la num novo modelo de gestão: a Gestão Emocional, como a chave para o sucesso profissional e a satisfação pessoal» (Público, 14/11/2015).

Obrigado, João.

 
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