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Olho por olho e dente por dente ?

Data adicionada : November 16, 2015 03:00:03 PM
Autor: Paulo Reis
Categoria:
 
Paulo Reis
16 novembro 2015




O atentado de Paris tem um significado muito relevante porquanto representa um golpe naquilo que é o modelo cultural e de sociedade ocidentais. Por esse motivo, todos nos sentimos ameaçados, indignados e revoltados.

Sendo certo que se torna difícil raciocinar face ao bombardeamento de notícias dos meios de comunicação e balbúrdia nas redes sociais, importa manter a sobriedade e lucidez de pensamento neste momento.

É certamente mais fácil apontar baterias a um inimigo externo. Faz-nos sentir vingados. Uma falsa sensação de segurança.

Se conseguirmos nesta hora afastar por momentos a emoção que nos tolda o pensamento, se conseguirmos ser analíticos, o que conseguimos ver ?

Eu vejo, por um lado, um modelo de sociedade ocidental que gerou através da exclusão espacial e segregação social uma insatisfação latente numa juventude cuja felicidade vê ser sucessivamente adiada fruto de uma crise económica e de valores, de um fenómeno de globalização massiva que interpenetra sociedades e ridiculariza a componente espiritual da vida humana.

Vejo ainda uma forte de componente geopolítica e geoestratégica, que se repete ao longo do tempo, e que ganha eco na insatisfação dessa tal enorme franja de população que se debate com uma existência desprovida de sentido e utilidade.

Catalogar o fenómeno como fundamentalismo religioso ou radicalismo islâmico poderá afigurar-se uma resposta possível, mas permitam-me que a considere insuficiente, quando a resposta que damos está associado ao mais primário e arcaico conceito do antigo testamento da religião católico: "Olho por olho, dente por dente" ou, se preferirem "pela espada matas, pela espada morrerás".

Pergunto: Se o fenómeno é religioso, porque não conseguimos nós responder então com base nos ensinamentos religiosos do novo testamento ? Seremos assim seres tão perfeitos para "atirar a primeira pedra" ?

O que assistimos é certamente um processo bem mais complexo e que não encontra resposta apenas no contragolpe militar. Se nada fizermos para colmatar as grandes lacunas da nossa sociedade, apenas estaremos a alimentar um monstro que se alimenta do ódio, do desespero e do vazio de valores que mais cedo ou mais tarde nos engolirá impiedosamente.

A generalização indica, no fundo, uma de duas coisas: medo ou ignorância. Nenhuma delas conduz a bons resultados.

Por último, ficamos hoje a saber que um dos terroristas é filho de uma portuguesa. Fará isso de todos nós portugueses uns terroristas ? Sinceramente, não me parece.

Por o julgar correto, aqui partilho convosco.

* Engenheiro Civil

 
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