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A INSENSIBILIDADE PERSISTE

Data adicionada : November 13, 2015 03:00:04 PM
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13 novembro 2015


Impressionou-me, se é que, neste país de tretas ainda haja o que possa impressionar-me, a insensibilidade dos deputados derrotados, numa das últimas sessões da Assembleia da República, rindo-se, às gargalhadas, descaradamente, sem respeito pelas lágrimas de sangue que um povo explorado, exangue, sofredor, verte diariamente. Tiques nervosos? Má educação? Insensibilidade? Talvez um pouco de tudo. Criticaram António Costa por ter afirmado, num momento infeliz, que votaria contra qualquer orçamento da direita, mas, agora, são eles que também o afirmam, decididos a nada aprovar do que for proposto pelo novo governo de esquerda, se vier a ser empossado, sem terem em consideração se as medidas serão ou não positivas para Portugal. Será bom que os deputados, sejam da direita, da esquerda, ou do centro, se convençam que a Assembleia da República é a sede do povo português e não é uma vinha para ser vindimada pelos que põem acima do que é bom para o nosso país, os interesses colectivos dos partidos, ou os seus caprichos pessoais, ou os inconfessados privilégios dos que ficam na sombra a puxar os cordelinhos. Os deputados foram para aquela Casa para lutarem pelo que possa melhorar a vida concreta dos Portugueses e defender os altos interesses nacionais.

Outro motivo de choque foi o facto de ter assistido, durante os últimos quatro anos de governação, à liquidação do centro político português, quando o PSD decidiu ir abandonando as suas características sociais-democratas para se encostar, decididamente, a uma direita dominada pelas finanças. Para eles, hoje, só existem os patrões e as grandes empresas e seus interesses de lucro, seja a que preço for. O trabalhador desapareceu do seu mapa. Para quem trabalha, criaram-se inúmeras sopas de pobres, estimularam-se as misericórdias, criaram-se estágios inúteis, incentivaram-se os peditórios às portas dos supermercados, usou-se a imaginação para explorar jogos de sorte e azar, enfim, fez-se tudo para apagar a dignidade do ser humano e torná-lo escravo e robot de ideologias ao serviço da exploração do homem pelo homem.

Volta e meia, como o mais forte argumento, vem à baila o estado em que Sócrates deixou o País. Mas não se diz que Sócrates deixou o país endividado, sim, mas, com infra-estruturas necessárias, fez reformas importantes no funcionamento do Estado, como foi o caso da educação e da desburocratização, enfim, deixou património, ao passo que o governo cessante, deixou o país ainda mais endividado e mais pobre, com uma educação destruída, uma reforma do Estado por fazer, e sem património, pois se encarregou de vender tudo aquilo que dava receitas ao Estado.

O PSD e o CDS assaltaram o poder com dois objectivos muito evidentes e determinados: empobrecer os portugueses e vender Portugal. Conseguiram-no, pois hoje somos um país de pedintes e uma enorme sopa dos pobres.

Enfim, para terminar, nem que seja só para restaurar a dignidade do povo português, nem que seja só para devolver aos reformados o que o Estado lhes deve e aos trabalhadores um salário mais justo, já vai valer a pena a mudança, pois a mudança, ao menos, traz a esperança que nos roubaram.

 
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