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A Festa do Cinema Francês no Algarve

Data adicionada : November 06, 2015 03:00:04 PM
Autor: Jorge Carrega
Categoria:
 
Jorge Carrega
06 novembro 2015




Decorre este fim-de-semana no Teatro das Figuras em Faro e no Tempo- Teatro Municipal de Portimão, a 16ª Festa do Cinema Francês, iniciativa que visa, naturalmente, divulgar em terras lusas a produção cinematográfica gaulesa. Com nove sessões programadas em Faro e quatro em Portimão (num total de sete longas-metragens), este evento, que percorre dezoito cidades portuguesas entre 8 de outubro e 29 de novembro, constitui uma oportunidade para conhecer o cinema francês contemporâneo, num país (Portugal) em que o cinema europeu parece estar cada vez mais afastado das salas de exibição comercial, inteiramente controladas pelos interesses de distribuição das majors norte-americanas.

Berço da 7ª arte, a França foi, desde sempre, uma potência mundial do cinema, contribuindo de modo decisivo para o seu desenvolvimento, não só enquanto espetáculo, mas também como arte do século XX por excelência. Contrariando estereótipos desde há muito enraizados, esta organização do Institut français du Portugal, da Embaixada de França e da Rede das Alliances françaises, pretende oferecer aos espetadores uma visão alargada da enorme diversidade da produção cinematográfica francesa, indo bem mais além do chamado cinema de autor. Pelo contrário, a programação privilegia uma certa tradição do "cinéma de qualité", assim como a produção de géneros profundamente identificados com a história do cinema francês, casos do filme policial e da comédia. A escolha de Jean-Jacques Annaud para padrinho desta edição, que conta com a antestreia do seu mais recente filme, A Hora do Lobo/Le Dernier Loup, representa igualmente uma aposta da indústria de cinema francesa, e das suas entidades governamentais, na promoção do chamado "cinema do meio", como tentativa de contrariar a hegemonia do cinema de Hollywood, cuja lógica infanto-juvenil, deixa cada vez mais "órfãos", os espetadores que procuram um cinema adulto e inteligente, marcadamente narrativo, e que não abdique da sua função de entretenimento.

Numa Europa, onde urge lutar pela defesa da diversidade cultural e linguística, eventos como a Festa do Cinema Francês, revestem-se da maior importância e deviam servir também como exemplo para as diferentes entidades responsáveis pela cultura em Portugal. É tempo do nosso país investir nas suas indústrias culturais e criativas e perceber que o cinema, enquanto expressão de uma cultura nacional, assume várias formas, não se esgotando nos ocasionais filmes de autor (para nichos de público), ou pior ainda, nos anódinos remakes de "clássicos" da comédia popular, transformados em telefilmes com direito a estreia nas salas de cinema.

Precisamente porque o cinema, como arte ou simplesmente entretenimento, é muito mais do que as sagas "Transformers", "James Bond", "Star Wars", "Hobbit" ou "Batman", vale a pena ir à Festa do Cinema Francês e ficar assim a conhecer o bom cinema que a França, hoje, como sempre, nos continua a oferecer.



* Docente e Investigador Universitário

 
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