Bom dia !     Utilizadores Online:       

DISTRITOS
Algarve
Aveiro
Beja
Bragança
Braga
Castelo Branco
Coimbra
Évora
Guarda
Leiria
Lisboa
Portalegre
Porto
Santarém
Setúbal
Viana do Castelo
Vila Real
Viseu
Açores
Madeira
main
main

Iremos Ganhar, ou Perder, com a Venda da TAP...?

Data adicionada : May 29, 2015 03:00:05 PM
Autor: José Manuel de Sousa
Categoria:
 
José Manuel de Sousa
28 maio 2015




O que é que certos líderes europeus, na sua loucura governativa dos últimos anos fizeram ao desmantelar o Estado social nos seus poderes e iniciativas económicas, reenviando-as para a iniciativa privada...?

O paradoxo da actual realidade conota-se com o final do século XVIII, em que eram os privados (a alta burguesia e a Igreja), sem exércitos organizados, de mercenários, serviços postais privados, e múltiplas actividades empresariais tiveram de acabar na segunda metade do século XIX e princípio do século XX, momento em que, primeiro havia feito o reino, e depois o Estado se apossaria delas, em formato de monopólio estatal, nomeadamente nos sabões, nos fósforos, nos tabacos, nos transportes públicos ferroviários, de navegação, e outros.

Assim, hoje em dia, no século XXI, se tivéssemos que compreender e identificar a matriz intelectual da mudança operada na mentalidade do Estado na sua clivagem, desapossando-se (alienando, privatizando) dos seus negócios, uns lucrativos e outros altamente deficitários e subsidiados a favor do bem-estar da colectividade, diríamos que afinal todos perdemos. Na ânsia economicista de poupar, com o intuito (?) de melhor gerir, o Estado tem vendido aos privados empresas altamente lucrativas, tais como a EDP, a REN, a PT e os CTT, e como corolário pretende agora vender a TAP, uma empresa tecnicamente falida, já se sabe, mas de bandeira e de interesse justificadamente nacional, em que o interessado a ficar com ela, obrigará o Estado a saneá-la financeiramente, isto é, o preço a vender a TAP, terá de ser extremamente baixo.

E, na venda da TAP, de imediato o contribuinte fica a perder pela responsabilidade que o Estado assumirá com o passivo de milhões de euros. Alguém vai ter de pagar, e não será uma entidade anónima, mas sim, nós, contribuintes. Com a agravante do risco elevado, de essas empresas depois de saneadas financeiramente tornarem-se de novos inviáveis e serem desmanteladas ou alienadas pelo comprador privado, com tudo o que isso implica no despedimento de trabalhadores. Outra questão mal esclarecida, apesar de haver um concurso público para avaliar a alienação da TAP, a realidade tem demonstrado existirem lobbies que influenciam o Estado e os governantes, e consequentemente, ao pagamento a alguém, de favores prestados, por parte do comprador, visto não existirem donzelas virgens em casos semelhantes, passeando-se por jardins arrelvados com portas de fundo duplo intransponíveis para o vulgar cidadão. Questões imperscrutáveis que viajarão no limbo do segredo dos deuses instalados no Olimpo de uma galáxia desconhecida.

Em 2008, era impensável que um grande banco a nível mundial, ou mesmo a nível nacional viesse a falir. E no entretanto, isso aconteceu na América (Lehman Brothers), e em Portugal o BPN, o BPP, e de fora ficaram in extremis, as fusões entre bancos para que não falissem. Essas falências colocaram de joelhos o sistema financeiro internacional, e concomitantemente a banca nacional até ao estertor final do Grupo Espírito Santo. E a talhe de foice, continua a falar-se do Montepio, com Teixeira dos Santos a declinar a administração para que fora convidado.

Então se faliram bancos, e puderam ser liquidados (que ainda não foram), em contrapartida, por exemplo, os transportes públicos, a começar pela CP e Refer, empresas públicas super endividadas, jamais poderiam cessar a sua actividade, com o que tudo isso implicaria para a paragem do país. E neste caso qual a razão para não se suster a alienação da TAP...? Já todos sabemos da novela constante passada em todos os tele diários nacionais a lavarem-nos a mente, e a deixarem-nos suspensos, sobre quem tem razão: privatizar ou não, eis a questão...

Assim, continua-se a privatizar, assumindo o Estado todos os prejuízos anteriores, e o comprador fica com essa empresa saneada. Tudo isto sem falarmos no negócio das PPP (Participações Público-Privadas, nas auto estradas e nas pontes "25 de Abril, e Vasco da Gama"), onde também se houver défices de exploração, compete ao Estado compensar as concessionárias privadas de todos os prejuízos verificados. Mas que negócios tem o Estado andado a fazer, ao alienar todas as empresas: as boas que geravam lucros, e as más que estavam falidas, competindo ao Estado continuar a suportar prejuízos...? Claro que não ignoramos o ponto de vista estratégico do Estado a jogar no tempo, e na possibilidade do retorno através da cobrança de impostos que essas empresas agora alienadas possam vir a produzir.



Mas, e neste sistema de alienação de risco elevado, quantas empresas originando de novo maus resultados de exploração, voltaram a falir, e que, pela sua posição estratégica no espectro da economia nacional, tiveram de novo regressar ao universo do controlo pelo Estado, como já aconteceu na Argentina e no Chile...? Será que as coisas más acontecem apenas aos outros...?

Nota final: Embora não enfraquecendo o ponto de vista do alcance de vigilância sobre o contribuinte, sabemos que o Estado tem vindo a incrementar sistemas de proximidade através de câmaras de circuito fechado, ou electrónicos, a partir do controlo do simples cartão multibanco, ou de escutas de vária ordem sobre o cidadão.

George Orwell, "1984", é uma realidade. Para quem não conhece, e mesmo para reviver, não deixem de dar uma vista de olhos na net em, "1984".

 
main
Avaliações
main
comentários
main