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E se houver gás na costa... do Algarve...?

Data adicionada : May 21, 2015 03:00:03 PM
Autor: José Manuel de Sousa
Categoria:
 
José Manuel de Sousa
21 maio 2015




O primeiro poço para pesquisar gás na costa do Algarve a quarenta e dois quilómetros da costa na direcção entre Faro e Vila Real de St.º António, prepara-se para se iniciar brevemente, e no máximo, até ao início do próximo ano já seremos conhecedores da existência de condições de extracção de gás natural em condições rentáveis.

Estima-se que o reservatório de gás situado a uma profundidade de 1800 metros, terá capacidade para abastecer Portugal nos próximos dez anos.

Por enquanto toda esta operação decorre sob o mais elevado secretismo, e compreende-se porquê, face às sensibilidades e consequências que em caso de alguma tragédia ambiental elas poderiam originar, de forma irreversível para o débil ecossistema da nossa costa. De olho constante em cima de todo este processo vivem as organizações ambientalistas, sobre a Repsol e a Partex (do universo da Fundação Calouste Gulbenkian) com uma participação de 10%.

No limbo e por divulgar, permanece o contrato de concessão assinado com o Estado português. E tão pouco se conhece o estudo de impacto ambiental concluído em 2014, em que intervieram a empresa consultora ERM, em colaboração com o Instituto Hidrográfico e a Universidade do Algarve (UALg).

Todo este secretismo, gerando inconvenientes à volta do processo da futura exploração, prende-se com o aumento das dúvidas acerca dos impactos que este caso poderia vir a originar no meio-ambiente próximo da orla marítima, e não só, focando-se o maior grau de atenção na debilidade da Ria Formosa, autêntica maternidade. No tocante à desconfiguração da paisagem marítima próxima, com a inestética torre de perfuração, este pormenor não será visível da costa, por situar-se a uma distância de pouco mais de quarenta quilómetros - do mal o menos. Contudo, não é certo, que por acção da direcção do vento, a costa não venha a ser atingida por algum acidente que possa suceder na libertação de gases emitidos pelo navio-sonda, bem como o depósito de detritos (resíduos) no fundo do mar, por via da perfuração das rochas magmáticas. Por outro lado, alguns inconvenientes serão levantados para a frota pesqueira que opera naquela zona da perfuração, contribuindo para algumas limitações da sua faina.

No tocante às mais-valias económicas a conseguir, suspeita-se que Portugal, nesta fase inicial do processo avaliativo das futuras possibilidades de exploração e rentabilidade, nada tocará ao nosso país. Tudo isto decorre da condição de todos os riscos de êxito ou não, estarem a cargos da responsabilidade de quem tenta conseguir extrair gás em condições ideais de comercialização. A esperança para Portugal reside, no futuro, de poder vir a tornar-se um país produtor de gás, e aí sim, poder passar a discutir outro tipo de contratos, face à possibilidade já materializada de haver gás na nossa extensa costa marítima. Até lá, teremos de esperar que o furo entre em exploração para renegociarmos o actual contrato, e podermos vir a beneficiar no aumento de captação de impostos e aumento das rendas a pagar pelo concessionário ao Estado português. Para o Algarve, no imediato apenas sobrará subsidiaridades conotadas com a prestação de serviços na restauração e hotelaria, o que não nos deixa grandes perspectivas económicas para tanto risco que iremos correr.

Por outro lado avulta as naturais preocupações das organizações ambientalistas - Almargem e Quercus - que seguem sem conseguir respostas plausíveis para as suas questões colocadas à Entidade Nacional para o Mercado de Combustíveis (ENMC). Estas apreensões têm a ver com os impactos ambientais da extracção de gás natural, embora de menores efeitos que os do crude (petróleo), mas ainda assim, sem o risco de causar marés negras, não estamos isentos de outros acidentes, face ao frágil universo dos ecossistemas da Ria Formosa, autêntica maternidade de diversas espécies da fauna marinha, bem como para o habitat natural de aves marinhas autóctones e exógenas que nos visitam ao longo do ano, bem como outras espécies pelágicas, tunídeas e cetáceas de elevado valor - baleias e golfinhos, na orla marítima.

As esperanças de encontrar gás na costa do Algarve são enormes e generosas. O consórcio Repsol/Partex, estima que os blocos Lagosta e Lagostim, onde se irá verificar a prospecção, contenham reservas de 98 biliões de pés cúbicos (bef), que tornariam Portugal, um país auto-suficiente para os próximos dez anos (?). Oxalá que sim, e que tudo decorra dentro da maior normalidade, sem riscos para o Algarve.

Nota: este artigo é uma recreação textual e documental realizada a partir de um outro, publicado na revista Visão de 14-05-2014.

 
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