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Refletindo sobre a vida

Data adicionada : February 16, 2015 06:00:03 PM
Autor: Mário de Freitas
Categoria:
 
Mário de Freitas
15 fevereiro 2015
Na nossa sociedade a vida é, frequentemente, tema de notícia. E é natural que assim seja, pois não sendo exclusiva do homem, a vida define o próprio homem, na sua dignidade, na sua responsabilidade, no drama da sua existência, no horizonte da sua esperança, que se afirma como desejo de mais vida, de uma vida melhor.

Sendo o seu dom mais precioso, o homem encontra nela um desafio para a liberdade, a motivação para a generosidade e a responsabilidade: a vida torna-se, para ele, o fundamento principal da exigência ética, porque aí se descobre como ser responsável perante a sua própria vida e perante os outros seres vivos, sobretudo os outros homens, chamados a descobrir a vida no diálogo fraterno e na corresponsabilidade mútua.

Invoco um dos maiores exemplos que o homem possa jamais ter da era moderna - João Paulo II - que afirmou, a respeito desta matéria, "tratar-se de uma realidade sagrada que nos é confiada para aguardarmos com sentido de responsabilidade e levarmos à perfeição, no amor, pelo dom de nós mesmos a Deus e aos irmãos".

Na maneira de abordar o problema da vida, o homem exprime o carácter paradoxal e, por vezes, contraditório da sua própria existência. É capaz de beleza e de drama, das mais sublimes expressões de generosidade, e das mais abjetas manifestações de violência e de desprezo pela vida.

A alegria encantada da mulher, que exulta quando lhe foi dada a notícia da sua maternidade ou recebe pela primeira vez, nos seus braços, o filho recém-nascido, é ensombrada pelo drama de mães que abandonam os seus filhos ou lhes truncam a vida antes de nascerem, frequentemente instigados por outros. À generosidade heroica de tantos ao serviço da vida e dos seus irmãos, contrapõe-se a violência de quem não hesita em matar ou prejudicar gravemente os seus irmãos, nas suas possibilidades de viver. Perante estas atitudes contraditórias frente ao mistério da vida, sentimos como o homem precisa de redenção.

A nossa sociedade tem sido, nos últimos tempos, atravessada por manifestações desta contradição. Anuncia-se com júbilo o resgate de sobreviventes, depois de vários dias soterrados nos escombros de uma tragédia e noticia-se, com ternura, a descoberta de um bebé abandonado. A ciência genética abre novas esperanças à qualidade de vida e há já pais a congelar as células estaminais do cordão umbilical dos seus bebés. Mas simultaneamente ressuscita-se uma campanha violenta a favor da legalização do aborto e a sociedade assiste perplexa à extensão do fenómeno de abusos sobre crianças.

A doutrina da Igreja sobre a vida, a que, invocando novamente esse símbolo da humanidade a que agora lhe chamo - Santo Padre chama o "Evangelho da Vida", é conhecida de todos, e é sincero o esforço dos cristãos para a porem em prática, embora com a imperfeição inerente à nossa fragilidade pecadora.

A relevância que têm assumido, entre nós, nos últimos tempos, os problemas da vida, leva-me a esta reflexão sobre a vida aprofundando mais o "Evangelho da Vida", pois, afinal, só poderá ser ele a fonte inspiradora da exigência moral de todas as nossas atitudes perante a vida. Caso contrário de nada nos valerá querer «parecer» sem ser! A vida não é um processo isolado, que possa ser vivida no individualismo.

Cada um de nós é responsável pela sua vida bem como a dos outros. Cada um de nós deverá proporcionar uma interajuda fraterna - o sentido da própria existência. O Mundo será melhor!

 
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