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A FASCINANTE HIPOCRISIA DOS POPULISTAS

Data adicionada : January 28, 2015 04:00:02 PM
Autor:
Categoria:
 

27 janeiro 2015


Dou comigo, quase sem querer, a torcer para que esta onda de solidariedade nascida do assassinato dos jornalistas do "Charlie", se mantenha, se vivifique e que, sobretudo, se clarifique, purifique e reforce contra todas as manifestações de imbecilidade, de fanatismo, incluindo a do "Charlie", na sua obsessão ateísta e de desrespeito pelas crenças alheias, e que atinja a força de um "tsunami" que abata todos os muros que cercam os bastiões da hipocrisia, quando se manifestam por isto ou por aquilo, aproveitando-se do histerismo colectivo que as emoções populistas sempre originam. Ninguém descortina estas manifestações populistas quando de trata de lutar contra as agressões diárias da finança ao geral dos cidadãos, às trafulhices dos que manipulam os políticos e as políticas para amarrarem as pessoas aos laços escravos de dívidas insustentáveis, ao arrumar de muitos em "ghettos" miseráveis, sem esperança, sem oportunidades de escolha, sem pingo de soluções para a miséria e a dependência. Não aparecem manifestações a favor de uma distribuição mais justa da riqueza, da criação de escolas (a propósito: em Portugal descobriu-se um novo negócio: fecham-se as escolas e transformam-se em habitação de ricos, centros da terceira idade, associações de pescadores, de caçadores, etc.), da defesa da bondade e da inteligência para criarem projectos que combatam as desigualdades, para criar oportunidades de sucesso para todos, para eleger como prioridade o convívio sem qualquer tipo de segregação, para tornar o bem-estar um objectivo a atingir para todos os cidadãos do mundo.

Porque, no dia-a-dia, não vejo mudanças que não sejam para inventar guerras, fronteiras racistas, sejam políticas, religiosas, culturais, ou outras; porque os pobres acordam mais pobres e os ricos cada vez mais ricos; porque as escolas fecham em vez de abrir; porque as vozes que se ouvem são as dos radicais, da esquerda ou da direita, onde domina a verdade deles e nunca a de todos; porque a fome e a violência, a perseguição e a barbárie obrigam a ondas de genocídios e de fugas colectivas à procura de um canto onde arranjem trabalho, sustento, assistência, em suma, um território que lhes lembre que, mau grado tudo, ainda são pessoas; porque assistimos, com chocante indiferença, aos actos dos fanáticos mais primitivos que os dos nossos antepassados das cavernas, sou obrigado a pensar que tudo não passa de uma encenação populista, de um espectáculo, que nada tem a ver com a liberdade de expressão, aliás, muito duvidosa, no jornal em questão, pois a comunicação social não pode esquecer uma regra ética fundamental: a liberdade de cada um termina quando começa o respeito que somos obrigados a ter pela liberdade do outro.

 
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