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Diabetes tipo 1 em África: Dilemas

Data adicionada : January 24, 2015 04:00:03 PM
Autor: Maria Helena Cardoso
Categoria:
 
Maria Helena Cardoso
23 janeiro 2015


Na África subsaariana a esperança de vida de uma criança com diabetes mellitus tipo 1 é muito baixa. Este tipo de diabetes resulta da destruição das células pancreáticas produtoras de insulina e estas crianças necessitam de insulina para sobreviverem. Nas zonas rurais de Moçambique a esperança de vida de uma criança com diabetes tipo 1 é apenas de 7 meses.

A descoberta da insulina, no início do século XX, revolucionou o tratamento da diabetes tipo 1 permitindo a sobrevivência às crianças afetadas por esta doença. No entanto, para a maior parte das crianças da África subsaariana, a insulina ainda não existe devido à dificuldade ao seu acesso. Frequentemente para as famílias a escolha é entre comprar insulina ou alimentos para toda a família. A nível governamental a escolha é entre tratar um caso de diabetes tipo 1 ou vários doentes com outras doenças. Disto resulta que apenas 1 por cento destas crianças sobreviva 6 anos após o diagnóstico.

O problema não se limita ao acesso à insulina, está também no reconhecimento da doença, no seu diagnóstico. Para além do acesso à insulina, é necessário ainda o acesso aos meios para a sua administração (seringa e agulhas) e a meios para controlar os níveis de glicose no sangue (glicemia). Se na Europa determinar a glicemia, com uma tira teste e um aparelho medidor (glicómetro), é um ato simples realizado pelo próprio em casa ou em qualquer lugar, em África uma determinação envolve com frequência percorrer uma grande distância.

Estes problemas serão debatidos, no painel da lusofonia, durante o Congresso Nacional de Endocrinologia 2015, na presença de representantes dos organismos internacionais, numa vontade de cooperação da SPEDM com os países africanos de língua portuguesa.

O painel de lusofonia conta com a participação de endocrinologistas de Angola, Cabo Verde e Moçambique que vão falar deste problema nos respetivos países e debatê-lo na presença do presidente da Federação Internacional da Diabetes, do presidente da Sociedade Europeia de Endocrinologia e do diretor-geral da Saúde de Portugal.

* Presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM)

 
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