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AINDA SEREMOS PESSOAS?

Data adicionada : January 12, 2015 06:00:09 PM
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08 janeiro 2015


Andam por aí uns gurus tecnológicos, deficientes em humanidades, excelentes em maquinetas e sistemas, perfeitamente inúteis, complicativos, escravos e escravizadores da gente. Gozam que se fartam, e enriquecem, aos ombros de seguidores acéfalos, despersonalizados, agora também barbudos, produtos de supermercados e de fóruns encantatórios que mandaram a vida pessoal às urtigas e hipotecaram o cérebro, desligando-o de leituras adultas, cultivando a mesquinharia, a intriga, o fado choradinho do tempo em que a canção tradicional vivia nas tabernas alimentado a vinho e a facadas.

Um deles, aqui há tempos, perguntava, muito preocupado, se o mais inteligente seria o computador ou o seu criador, assim como aqueles que perguntam quem apareceu primeiro: o ovo ou a galinha, Deus ou o homem? E eu limito-me a perguntar se o computador existiria se o homem não o inventasse. Por mais complexo que ele seja, por mais tarefas que realize, só existe porque o homem o programa. Pode é programá-lo para a destruição do próprio homem e torná-lo rei de um mundo sem coração nem sentimentos, em que os homens não passarão de escravos das máquinas.

Mas, não será o que está a acontecer no modelo civilizacional que vamos construindo?

Notemos que o objectivo essencial da vida, na minha humilde opinião, será vivermos felizes, de modo simples, livres, justos, solidários, bondosos, compassivos, dialogantes, respeitadores dos direitos e dos deveres que fomos entesoirando para podermos todos conviver, sem ódios, sem guerras, sem ignorância. Ora, aquilo a que assistimos neste mundo de maquinetas é à proliferação dos ódios, das guerras, da falta de sentimentos, da ignorância, do seguidismo, da despersonalização, do apagamento de tudo quanto faz da pessoa humana um ser digno, especial, querido. Com efeito, os perigosos aprendizes de feiticeiro esmeram-se na criação de monstros alienatórios. Está instalada uma crise de imbecilidade que só se torna mais perceptível, quando estas gerações tecnológicas começam a tomar conta do poder e a condenar as pessoas à miséria, à doença, ao sofri mento.

À cautela, pedi a Lisboa uma panela de ferro que por lá deixara esquecida, para voltar a cozinhar, como fazia a minha saudosa avó, um típico cozido à portuguesa, com couves do meu quintal, ou uma feijoada com feijões da mesma origem, junto das chamas da lareira, alimentadas por lenha que carrego da mata do Estado, à margem das leis tontas que a condenam ao apodrecimento ou às chamas dos incêndios.

Depois da sesta, umas leituras de Platão calham às mil maravilhas.

É o meu modo de lutar contra um modelo de vida obediente às teclas e aos ecrãs, sem filtros, estupidamente despersonalizado. Cá para mim, só complicam a simplicidade que deve presidir a uma vida, tão frágil, tão curta, mas, tão linda!

É que continuo a pensar que as pessoas são o mais importante. Sem elas, nem Deus existe!

 
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