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ENQUANTO O SR. PRESIDENTE VAI AVISANDO, PORTUGAL VAI MORRENDO

Data adicionada : June 25, 2014 04:06:52 PM
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16 junho 2014




Com a ruina do projecto europeu e a inércia dos seus responsáveis, não é possível a recuperação de nenhum país periférico. Os outros seguirão o mesmo caminho até à desagregação final e o regresso aos fantasmas do passado. O cinismo continua e as mentiras repetem-se até haver votos que mantenham o cadáver empalhado. Há um sucesso cantado em vários tons de gaita-de-foles, instrumento apropriado quando a música se faz à base de vento. A fragilidade do referenciado sucesso, na versão do governo e do seu aliado maior, assenta numa almofada de nuvens: exportações tão frágeis que basta fechar uma torneira de petróleo para caírem, um equilíbrio da balança comercial fundado na miséria das pessoas; o empobrecimento generalizado do país, com os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres; a destruição da classe média, facto a que nenhum país sobrevive, embora os iluminados das teorias neo-libertárias não queiram reconhecê-lo, mesmo quando os factos esfarrapam as suas retrógradas ideias que estão a arrastar a civilização para os tempos medievais, sem direitos, sem esperança, com trabalho escravo, de sol a sol, aceite como uma benesse dos patrões e nunca como um direito da pessoa humana; a mentira da reforma do Estado que se ficou pelos cortes e pela degradação do valor do trabalho. Tudo somado, apertamos a mão até sangrar e fica nada. Apenas sangue de pobre. Sintomático. E o Sr. Presidente a elogiar esta gente, com quem convive sem problemas de consciência.

Entretanto, na mesma linha de rumo que vem do tempo de Cavaco Silva, enquanto chefe do governo, a destruição do país continua: vende-se tudo. O que ainda restava da desindustrialização dos tempos de má memória, vende-se. Enquanto continuamos a pedir dinheiro emprestado, os chineses e outros parceiros levam os lucros. Lá vão os milhões da electricidade, dos correios, dos transportes... Lá se vão as pessoas cuja formação tanto nos custou. Lá se fecha o país, apostando numa desertificação ruinosa. Lá se destrói o ensino livre, pois gente educada e bem formada não se encaixa em projectos totalitários. Basta ler a entrevista daquela seráfica deputada acerca dos juízes do Tribunal Constitucional. O que ela quis dizer é muito simples e vem do tempo do Ditador: "Quem não está connosco, está contra nós. Cadeia com eles. Ou barcos sem fundo". Cantam-se loas à agricultura, mas enchem-se os campos de eucaliptos para os amigos do papel. A pesca continua de rastos e já nem os mariscadores se safam, diariamente perseguidos por zelosos agentes da ordem, aliás como acontece com os pobres camponeses que, no tempo de Salazar, de má memória, podiam vender o que produziam, sem coimas, nem impostos, pois era um modo de sobrevivência que só dependia da sua força e habilidade. Nos dias de hoje, se os apanharem a vender um pepino, uma couve tronchuda ou um tomate, nem a velhice lhes vale. Pagam e não bufam.

Que país é este? Que futuro espera os portugueses? Li um artigo, recentemente, no "Expresso", que alertava para as transformações que as novas tecnologias estão a operar no cérebro dos nossos jovens que os leva a perderem a noção dos valores, da moral, da ética, esmagados debaixo de toneladas de informação que não digerem. Não haverá por aí uns sais de frutos cerebrais que reponham o cérebro dos políticos a funcionar em função das pessoas?

 
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