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Eleições na União Europeia

Data adicionada : May 12, 2014 06:00:05 PM
Autor: José Manuel de Sousa
Categoria:
 
José Manuel de Sousa
12 maio 2014





Oficialmente, começa hoje (12-05-2014) a campanha eleitoral para o Parlamento europeu que irá eleger os deputados de 28 países para o próximo quinquenário, substituindo Durão Barroso na presidência da Comissão, Herman Van Rompuy no Conselho europeu e Catherine Ashton no posto de alto representante para os negócios estrangeiros.

De permeio, a actual União debate-se com gravíssimos problemas de desemprego nos países mais fragilizados do Sul, e com o risco latente de deflação, aos quais o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi "promete agir em Junho para combater a inflação baixa". Longe está uma estabilização da união monetária, por inacabada, face aos interesses dos poderosos países do norte, não contribuindo para a sua implementação. Esta união monetária obviaria a surpresas provocadas pelos mercados, de molde a evitar novas crises. Entretanto, a Chancelerina Angela Merkel, a título de um melhor funcionamento do euro, reclama novos instrumentos de coordenação económica, refazendo o preceituado dos anteriores tratados, que nalguns casos não é revisto desde a sua implementação em Paris, em 1951, considerado obsoleto e paralisante em algumas questões.

Outrossim, a agravar os problemas da União, a situação da Ucrânia vai-se complicando com a necessidade de nós europeus passarmos a conviver com novos conhecimentos de geografia, após a consulta pública, realizada este Domingo (11-05-2014) para a separação das cidades Donetsk e Lugansk, recém-proclamadas "repúblicas populares" - pró-Rússia. Bem mais perto de nós, a sul do Mediterrâneo, a questão da Síria e de outros países árabes, projecta-se sem um fim de paz à vista. Ambas as situações, estão a levar ao rubro as relações com a Rússia, considerada um parceiro importante, mas do qual os 28 países componentes da União desconfiam das suas intenções bélicas e políticas: com um desfile na semana passada, comemorativo da Segunda Guerra Mundial, apresentando novo material de guerra altamente sofisticado e poderoso, com novos mísseis intercontinentais, disparados a bordo de vasos de guerra, sob a observação de Putin. Concomitantemente, acrescem os problemas energéticos resultantes da crise ucraniana, tardando a decisão da União em optar entre o nuclear que não colhe boa opinião (face à recente tragédia de Fukushima), ou o gás de xisto, tendo em vista a dependência europeia do gás russo.

No tocante às questões internas da União, a política industrial europeia tarda em definir-se, perante a não-abertura de livre troca de mercadorias entre a Europa e os Estados Unidos, tendo como maiores opositores a esta tomada de posição, a França e a Itália a reclamarem um mínimo de protecção às suas indústrias.

Com todo este cenário, existem riscos acrescentados de fragmentação, gerando tensões entre o Norte e o Sul no seio da zona euro, com os nacionalismos regionais na Espanha, no Reino Unido e na Bélgica; com o exacerbamento da possível divisão da Ucrânia, como de resto já citámos. Neste intricado, por sua vez, alguns países europeus (nomeadamente a nossa conhecida Holanda) praticam entre si concorrência fiscal e dumping social, não acatando os apelos para uma acção comum concertada entre os demais parceiros.

A união monetária deixou de ser um arco-íris para alguns países, inclusive o Reino Unido a reclamar o retorno de determinado número de competências que tinha abdicado a favor da União Europeia. A actual Europa rodando a diversas velocidades, torna-se difícil de manobrar pelos seus políticos de Bruxelas, e ainda de maior dificuldade de ser entendida pelos seus eleitores chamados às urnas no próximo dia 25 de Maio, de certo modo colhendo o seu alheamento, que se traduzirá na abstenção esperada, no caso português a rondar os 70%, segundo prognosticam as últimas sondagens.

Quais deveriam ser as prioridades a serem implementadas imediatamente, seguindo a visão de alguns políticos europeus? Alguns propõem um novo tratado; outros um plano de relançamento de molde a criar confiança entre os jovens e ainda a dizerem ser necessário reforçar a arquitectura económica da União europeia e da zona euro; a questão do emprego dos jovens e os investimentos em novos segmentos, para os quais existem verbas suficientes, são outras possibilidades reais; a questão de tomarmos em mão o nosso destino, passa pela tomada de consciência do Banco Central Europeu (BCE) e na sua união monetária, que não poderá estar ao serviço dos mercados financeiros, mas sim dos Estados, a fim de se defenderem dos juros usurários praticados recentemente em Portugal e na Grécia.

Em Portugal, segundo a visão dos principais políticos, a estratégia eleitoralista passa por se digladiarem em plena praça pública à volta do "PEC IV", da "saída limpa", e do despesismo contraído pelo anterior governo socialista. Quanto ao tempo e aos costumes, o mesmo é dizer sobre as próximas eleições e quais as suas principais linhas de acção futuras no Parlamento Europeu em Bruxelas, pouco ou nada fazem transpirar na imprensa diária e muito menos nos principais jornais televisivos, que não seja as suas caramunhas entre si. O paroxismo, em pleno primeiro dia de campanha eleitoral é atingido com um dos programas ditos de maior audiência nacional, o Prós e Contras da RTP, apresentado por Fátima Campos Ferreira a versar o tema ingente da questão dos toiros e das toiradas em Portugal. De facto, dá que pensar...

Notas finais

Entretanto, o Presidente da República vai desdizendo-se no "Facebook" da sua "espiral recessiva" para o abismo, que tinha previsto há seis meses, e espetando alfinetes na boneca, qual maldição de vudu, como que a lançar anátemas de tragédias sobre os mais cépticos, que previam que Portugal não evitaria um segundo resgate. Agora, o Presidente canta hossanas, como se a "saída limpa" tenha sido uma premonição sua, e menos a dita "espiral recessiva", da qual já se esqueceu.

Espera-se e deseja-se que estas eleições redesenhem uma Europa mais unida e solidária, mais forte, e politicamente mais adulta.

 
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