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Empreendedorismo de Base Tecnológica e Novas Tendências

Data adicionada : May 01, 2014 06:00:03 PM
Autor: Dinis Caetano
Categoria:
 
Dinis Caetano
30 abril 2014



O empreendedorismo tem diversas dimensões e novas tendências. Em termos de impacto na economia, a principal dimensão é a criação de empresas; em termos de novas tendências, consideram-se o empreendedorismo de base tecnológica, empreendedorismo qualificado, intra-empreendedorismo, empreendedorismo corporativo, empreendedorismo social e educação para o empreendedorismo.

No empreendedorismo tecnológico, muito associado à inovação, destacam-se as empresas de base tecnológica (EBT), que apesar de representarem uma pequena proporção do total de PMEs, são essenciais para o crescimento e internacionalização da economia, através da comercialização de novos produtos e serviços de elevada intensidade tecnológica. As incubadoras de empresas constituem um dos principais apoios à criação de EBT, enquanto infraestruturas que disponibilizam espaço, equipamentos e serviços para instalação de empresas em início de atividade e aceleração numa fase seguinte de crescimento.

Há três tipos mais comuns de incubadoras em atividade em Portugal: (i) incubadoras tecnológicas ou de universidades; (ii) incubadoras focadas no desenvolvimento regional; (iii) incubadoras mistas. Enquanto as incubadoras tecnológicas, geralmente, estão vinculadas a fontes de conhecimento avançado (parques de ciência e tecnologia, agências de transferência de tecnologia, universidades), promovendo o desenvolvimento de empresas de base tecnológica, as incubadoras regionais são mantidas por autarquias ou organizações locais, procurando apoiar empresas da região com vista à criação de empregos, geração de riqueza e ao desenvolvimento ou reestruturação da economia regional. As incubadoras mistas abrigam empresas ligadas aos sectores tradicionais da economia em simultâneo com empresas baseadas em novas tecnologias.

As incubadoras tecnológicas nacionais têm adotado, regra geral, um modelo de incubação generalizado em vez de um modelo de especialização num determinado sector específico de atividade (e.g. biotecnologia, comunicações, tecnologias de informação, ciências da vida), procurando responder às necessidades de empreendedores qualificados que criam startups de base tecnológica, promovendo o desenvolvimento dessas empresas por meio da transferência e difusão de tecnologia ou encorajando o empreendedorismo de investigadores e académicos. Mais do que criar uma empresa, muitas vezes os empreendedores tecnológicos precisam criar um mercado. Na maioria dos casos, este tipo de incubadoras disponibiliza serviços de valor agregado, têm ligações a universidades e parques de ciência e tecnologia, participam de redes empresariais (networking) com o sector produtivo ou têm ligação a redes relacionais mais amplas e de orientação aos empreendedores, proporcionando às empresas externalidades positivas.

A oferta de incubadoras de empresas de base tecnológica tem aumentado nos últimos anos em Portugal. Das 11 incubadoras tecnológicas existentes (24% do total de incubadoras), 3 incubadoras entraram em funcionamento nos anos 90, enquanto 8 incubadoras iniciaram a sua atividade no século XXI (3 das quais no período 2000-2004 e 5 no período 2005-2009). No entanto, os resultados revelam que não há muitas diferenças significativas entre incubadoras tecnológicas e incubadoras regionais (Caetano, 2012), uma vez que a oferta de serviços de incubação tecnológica em Portugal não apresenta um padrão muito diferente do tipo de serviços oferecidos pelas incubadoras regionais.

Dada a sua interação com os sistemas locais de inovação, as incubadoras regionais cumprem a função de interface entre a produção do conhecimento e a produção de bens e serviços, sendo, portanto, um instrumento eficaz de introdução de inovações. Neste caso, têm uma palavra a dizer os promotores das incubadoras algarvias (CACE - Ninho de Empresas de Loulé e Level UP - Ativar Tavira), de modo a constituir estas incubadoras como trampolins para empresas de base tecnológica, de modo a potenciar o seu crescimento através da afirmação de um empreendedorismo qualificado, inovador e de oportunidade, decisivo para o desenvolvimento económico da região.

* Economista

 
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